Disco de Plimsoll: para que serve a medição de calado?

  • 07/06/2022
  • 12 minutos

Sendo uma atividade importante há pelo menos meio século, a navegação com navios de carga passou por todos esses anos se adaptando e criando novas formas de otimizar cada vez mais o carregamento e transporte de mercadorias.

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É por isso que existem tantos termos, processos e indicadores que apontam a melhor forma de fazer esse trajeto com o mínimo de perdas para quem compra e o maior lucro possível para quem vende.

O Disco de Plimsoll é um desses exemplos, fundamental para a segurança de embarcações e aproveitamento máximo de armazenamento em cada navio afretado.

Quer entender mais sobre o que é essa medida? Com a participação especial de Franklin Galdez, gerente de operações da GMS Brazil, vamos explicar o que ela significa para o setor. Acompanhe.

O que é Disco de Plimsoll?

Do ponto de vista de exportadores e importadores, é claro que a vontade na rotina do afretamento marítimo (maritime chartering) é sempre carregar em volume o máximo de carga que cada navio comporta. É uma busca que faz parte das perspectivas de navegação, com vistas ao crescimento.

Mas nem sempre isso é possível. Mesmo que aquela embarcação suporte determinado peso, existe um limite de flutuabilidade do casco que aumenta o risco de encalhamento quando o calado está completamente submerso.

Para evitar qualquer incidente do tipo, que pode causar danos à carga e até interromper a operação em portos, existe uma medida adotada no mundo inteiro para padronizar essa margem de segurança. É o chamado Disco de Plimsoll, como Franklin define:

“O Disco de Plimsoll é uma marcação feita no costado a meio navio com a finalidade de determinar a borda livre de segurança para carregamento dos navios mercantes em suas respectivas viagens. Ele carrega as siglas da Sociedade Classificadora emitente da Certificação de Borda Livre”.

Como ele foi criado?

O Disco de Plimsoll recebe esse nome em homenagem ao seu criador, Samuel Plimsoll. Membro do Parlamento Britânico e negociador no mercado de carvão no fim do século XIX, ele atuava nas reformas das leis marítimas inglesas, principalmente o carregamento excessivo de navios, que causava tantos acidentes à época.

A ideia da parametrização é inibir esse sobrecarregamento para aumentar a segurança e otimizar o uso do peso suportado. A denominação “disco” tem a ver com a sua marcação no casco do navio: um círculo cortado por uma linha.

Franklin aponta que essa determinação foi instituída em 1876. “O Merchant Shipping Act tornou a borda livre obrigatória, garantindo limites de carregamento aos navios mercantes”. 

A adoção da marcação física nos cascos aconteceu em 1894 e, durante o século XX, foi aprimorada com observações mais precisas, com marcações ao lado do disco de acordo com cada cenário possível de flutuação:

  • TF: água doce tropical;
  • F: água doce;
  • T: água salgada tropical;
  • S: água salgada no verão;
  • W: água salgada no inverno;
  • WNA: água do Atlântico Norte no inverno.

Como medir um calado de navio?

A determinação do Disco de Plimsoll tem uma ligação direta com uma das medidas mais importantes para o transporte marítimo: o calado do navio.

Objetivamente, o calado é a distância entre a quilha do navio (seu ponto mais baixo) e a linha superficial da água. Portanto, é toda a parte da embarcação que está submersa. Essa medição é feita com marcações visuais em todos os lados do casco, em metros ou, para navios mais antigos, em pés e polegadas (sistema imperial).

“Esse trabalho é normalmente realizado por arqueadores em conjunto com oficiais de navegação do navio, onde os calados verificados são registrados para fins de cálculo de carga a bordo da embarcação ou, mesmo, para medir a quantidade de carga que foi descarregada/movimentada de uma embarcação”.

Franklin também nos conta que, atualmente, existem sensores instalados nos cascos capazes de fazer essa medição apontada em um mostrador (gauge). “Porém, sua precisão sofre alterações considerando diversos fatores, sendo o método de leitura direta o mais recomendado.”

Para que serve o calado de navio?

O calado do navio é uma medida universal para todo o comércio internacional e muito importante para determinações de volumes de carga e logística portuária.

O principal motivo para essa conferência existir, claro, é a segurança dos navios e seus tripulantes. Tanto que foi essa a motivação de Samuel Plimsoll ao criar o indicador.

Quando um navio é sobrecarregado, seu calado é medido erroneamente ou simplesmente ignorado. Assim, existe o risco de naufragar ou mesmo encalhar, o que ocorre quando ele submerge a ponto de a quilha encontrar o solo.

Esse tipo de incidente não só coloca pessoas e bens materiais em risco, como pode significar uma paralisação completa de um porto ou um canal, dependendo das condições do encalhe (você provavelmente viu o que aconteceu com a embarcação Ever Given no canal de Suez, em março de 2021). Portanto, essa também é uma questão econômica.

Calcular e respeitar o calado de cada navio é uma maneira de aumentar a eficiência principalmente nos portos. Cada terminal tem sua profundidade determinada, e o manejamento de embarcações que tirem mais proveito de cada um desses valores agiliza operações de carga e descarga e permite extrair sempre o máximo de cada uma delas individualmente. 

Como garantir essa e outras conformidades no transporte marítimo?

Com a discussão do tópico anterior, podemos ver com clareza que, assim como muitos outros detalhes da operação de transporte marítimo, o respeito ao calado e a introdução do Disco de Plimsoll são questões importantes em um assunto cada vez mais relevante para o setor: inteligência portuária.

É mais um desses pontos de atenção que precisam fazer parte da rotina de quem importa e exporta. Daí a importância de contar com o melhor agenciamento marítimo (shipping agency) possível.

“A Wilson Sons, em seu amplo escopo de atendimento, trabalha com essas figuras de calados, tanto para navios em lastro (sem carga), como para navios que descarregarão em certos portos”, explica o Gerente de Operações.

“Precisamos constantemente estar cientes das limitações de cada porto, fundeadouro e terminal, de modo a fornecer informações corretas para os navios e clientes”.

Trata-se de dados vitais para a eficiência da operação, como:

  • áreas corretas para fundear;
  • limites máximos de calado por berço ou por canal de navegação;
  • limite máximo de carregamento considerando limitação em determinado porto de destino;
  • condições de carregamento impeditivas que devem ser observadas — que, por vezes, impõem à embarcação a necessidade de lastrar um porão de carga temporariamente, de forma a possibilitar ao carregador de navios que alcance os limites dos porões de forma segura.

Nesse sentido, o Disco de Plimsoll é mais uma prova de que a atenção a detalhes e o planejamento adequado fazem do afretamento marítimo uma rotina de otimizações que beneficiam tanto quem compra como quem vende.

Por que, então, você não conhece mais a fundo a melhor Agência Marítima do Brasil? Visite agora o site da Wilson Sons e entre em contato!