Rebocador: quando e como contratar

  • 23/01/2019
  • 8 minutos

Contratar um bom rebocador é parte essencial de uma operação marítima. Afinal, ele é responsável pela entrada e saída segura dos navios nos portos, e também é necessário em situações emergenciais como, por exemplo, incêndios em alto-mar.

Você sabe quais aspectos dessas embarcações precisa considerar antes de fechar negócio? Conversamos com Arnaldo Calbucci, vice-presidente marítimo da Wilson Sons, para saber o que um profissional do afretamento deve ponderar a fim de encontrar o rebocador adequado para uma operação bem-sucedida de agenciamento marítimo. Confira!

Quais são os tipos de rebocagem

O principal tipo de rebocagem é a portuária, uma vez que ela é obrigatória na maioria dos portos no Brasil. Trata-se da execução das manobras para que os navios entrem ou saiam do porto. Em geral, é desse modelo de rebocagem a que vamos nos referir neste artigo.

A rebocagem oceânica é mais esporádica, porque acontece quando um navio passa por um imprevisto, como falta de propulsão em alto-mar. Em situações como essa, a embarcação é rebocada até um ponto seguro.

Rebocadores também são necessários para assistência à salvatagem, em casos como incêndio a bordo de navios ou para solucionar desencalhes.

Arnaldo explica que, no caso da rebocagem portuária, a contratação costuma ser realizada no começo das negociações de afretamento, mas não necessariamente é responsabilidade do afretador, pois o armador pode contratar rebocadores também.

“Mas tudo isso sempre ocorre com certa antecedência do navio chegar ao porto”, ressalta, lembrando que o planejamento é essencial na contratação do serviço, pois cada porto exige características específicas e, além disso, o cronograma precisa ser seguido à risca para não gerar atrasos subsequentes.

O que considerar ao contratar um rebocador

É necessário assegurar-se de uma série de fatores antes de contratar um rebocador para sua operação. Na perspectiva de Arnaldo, os principais pontos que devem ser verificados são a segurança oferecida, a potência do rebocador e a expertise da empresa sobre os portos de operação.

Segurança

“O afretador e o armador têm que contratar empresas de rebocagem que tenham condições de executar a operação de que ele precisa com segurança”, diz Arnaldo. Segurança é essencial na operação de um rebocador — não somente para proteger o rebocador em si e sua tripulação, mas para preservar a embarcação assistida e o porto de qualquer acidente.

Afinal, não adianta somente o afretador e o armador cuidarem da segurança — contratar fornecedores preocupados com a questão é igualmente importante. Antes de fechar negócio com um serviço de rebocagem, cheque quais requisitos de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) o fornecedor cumpre. Eles devem estar alinhados aos da sua empresa.

“É preciso contratar empresas que tenham P&I válido”, ressalta Arnaldo. P&I é a sigla para Protection and Indemnity Insurance, ou Seguro de Proteção e Indenização.

A segurança não consiste apenas em fornecer EPIs aos funcionários e treiná-los ou ter planejamento de risco, evidentemente. Ela também exige adequação aos portos em que o rebocador atua, pois cada local tem especificidades diferentes que precisam ser atendidas, como ressaltamos em um artigo sobre Paranaguá. Por isso, você precisa verificar o próximo item com atenção.

Conhecimento da empresa sobre os portos

Os portos brasileiros são muito diferentes entre si, por isso é importante conhecer bem as características de cada um deles antes de planejar uma operação marítima. “Há portos mais complexos, ou com características peculiares, e a empresa rebocadora escolhida deve ter uma tripulação treinada e capacitada”, lembra Arnaldo.

Não existe um “rebocador ideal” capaz de atender todas as necessidades de todas as embarcações em qualquer porto. Cada situação vai apresentar aspectos próprios e, dificilmente, um único afretador vai conhecer todos eles.

Por isso, certifique-se de que a empresa rebocadora tem experiência no porto em que você vai operar, porque é fundamental que ela conheça as particularidades do lugar. Além disso, é interessante que esteja habituada a lidar com o tipo de carga que você transporta — afinal, como você deve saber bem, cada tipo de mercadoria exige cuidados especiais, como ressaltamos em um artigo sobre transporte de soja.

Potência e Manobrabilidade

Como profissional do afretamento, você sabe que rebocadores nada mais são que barcos de pequeno porte, capazes de manobrar embarcações muito maiores. Isso é possível graças à sua grande potência e manobrabilidade.

“Pode haver uma situação de risco, se rebocadores sem potência e manobrabilidade adequadas forem contratados, porque eles podem não ter capacidade de auxiliar a atracação e a desatracação dos navios”, alerta Arnaldo.

Mais uma vez, deve-se lembrar que não existe uma potência ideal que seja recomendada para qualquer situação. Cada embarcação e cada porto vai exigir determinada potência e, muitas vezes, mais de um rebocador. É importante, portanto, contar com uma empresa perita capaz disponibilizar exatamente o que é recomendado pela autoridade marítima para cada cenário.

O que se observa globalmente, segundo Arnaldo, é o crescimento dos navios conteineiros. “Navios cada vez maiores têm escalado os portos brasileiros. Ter uma frota de rebocadores potentes para assistir essas embarcações é uma tendência no mundo e no Brasil”, diz.

Como a Wilson Sons pode ajudar

Com certeza, você reconhece que operações marítimas são bastante complexas. Apenas neste artigo, já citamos o afretamento, o conhecimento dos diferentes portos e a apuração técnica sobre a potência dos rebocadores. São muitos detalhes, por isso, é interessante contar com uma empresa que domine todos eles.

A Wilson Sons é um grupo com mais de 180 anos que atua no campo dos serviços portuários, marítimos e logísticos, abrangendo, além da rebocagem, o agenciamento marítimo, por exemplo. Isso garante expertise sobre variados ramos do negócio e permite transmitir uma perspectiva mais ampla aos clientes.

Outro ponto a ressaltar é a preocupação com o desenvolvimento tecnológico constante. Em 2018, a empresa lançou o rebocador portuário e oceânico mais potente do mercado brasileiro, o WS Sirius, que está operando no Porto do Açu, Rio de Janeiro.

Com tração estática de 90 toneladas, ele é o terceiro Escort Tug fabricado pela empresa, capaz, inclusive, de interromper a navegação de uma embarcação de grande porte, caso seja necessário.

Depois das informações deste artigo, acha que está mais preparado para procurar o rebocador ideal para suas operações? Não pare por aqui e confira algumas dicas para aprimorar suas técnicas de negociação de afretamento!