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26/9/2016 - Válvulas de escape

A crise da economia brasileira não pegou todos da mesma maneira, e há até quem tenha conseguido crescer em meio a esse panorama tumultuado. O movimento do terminal de contêineres de Salvador aumentou 9% de janeiro a julho deste ano em comparação a igual período de 2015. E não porque a Bahia esteja passando ao largo da crise. Pelo contrário, a Região Metropolitana de Salvador é urna das que registram, atualmente, os mais elevados índices de desemprego.

0 resultado do terminal é produto de investimentos em equipamentos, ampliação do cais e acesso ao porto que era o pior do país, nesse caso, e se tornou o melhor, com uma via expressa que reduziu em quase uma hora o tempo que os caminhões levavam entre o polo industrial de Camaçari e o terminal marítimo.

O movimento na importação despencou 16%, mas, em compensação, o da exportação cresceu 24%, e o da cabotagem, 8%. Na média, o número de contêineres movimentados evoluiu 9% de janeiro a julho. Navios que fazem a ligação com a China e grande parte da Ásia não atracam em Salvador. Geralmente passam pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, aportam em Santos, seguem para Buenos Aires e, na volta, fazem escala apenas em Santos e em Itaguaí, no Estado do Rio. Por isso, o algodão produzido no Oeste da Bahia percorre mais mil quilômetros por terra para ser embarcado em Santos ou Paranaguá, já que não há em Salvador navios disponíveis para transportá-lo. A escala na Bahia alongaria a viagem em cinco dias e meio, o que não é economicamente vantajoso para os armadores.

Em contrapartida, surgiram novas cargas para a cabotagem, com navios que fazem a ligação entre portos brasileiros, conquistadas do transporte rodoviário. De Salvador agora partem para o Rio Grande do Sul muitos equipamentos de usinas eólios, fabricados no estado: grandes aerogeradores e pás gigantescas que compõem os "moinhos de vento". Julho e agosto, especificamente, não foram meses bons. De qualquer forma, este ano Salvador se consolidará como o principal porto do Nordeste na movimentação de contêineres para exportação e importação. Nesse segmento, o movimento é maior que a soma de todos os demais na região.


Fonte: O gLOBO